Climatério: entenda essa fase da vida da mulher, os sintomas e como cuidar da saúde

O climatério é uma fase natural da vida da mulher marcada pela transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. Embora muitas vezes seja confundido com a menopausa, os dois termos não significam exatamente a mesma coisa. O climatério corresponde a um período mais amplo, durante o qual ocorrem mudanças hormonais progressivas. Já a menopausa é um acontecimento específico dentro desse processo: a última menstruação.

SPASS Mulher

8/26/20267 min read

Climatério: entenda essa fase da vida da mulher, os sintomas e como cuidar da saúde
Climatério: entenda essa fase da vida da mulher, os sintomas e como cuidar da saúde

Essa transição pode provocar alterações físicas, emocionais, metabólicas e sexuais. Algumas mulheres apresentam poucos sintomas, enquanto outras enfrentam ondas de calor intensas, alterações do sono, mudanças de humor, irregularidade menstrual e outros desconfortos que podem interferir significativamente na qualidade de vida.

Entender o que acontece com o organismo durante o climatério é fundamental para atravessar essa fase com mais segurança e buscar acompanhamento médico quando necessário.

O que é o climatério?

O climatério é o período de transição fisiológica que ocorre quando a atividade dos ovários começa a diminuir progressivamente. Com isso, há alterações na produção de hormônios sexuais, especialmente o estrogênio e a progesterona.

Não existe uma idade exata para o início do climatério. Cada organismo possui características próprias, e fatores genéticos, condições de saúde, hábitos de vida e determinados tratamentos podem influenciar esse processo.

Durante essa fase, os ciclos menstruais podem começar a mudar. A menstruação pode ficar mais espaçada, mais frequente, mais intensa ou apresentar menor fluxo. Com o passar do tempo, ocorre a interrupção definitiva dos ciclos menstruais.

Climatério e menopausa são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma das principais dúvidas relacionadas ao assunto.

Climatério é todo o período de transição entre a fase reprodutiva e a fase não reprodutiva da mulher.

Menopausa, por sua vez, corresponde à última menstruação espontânea. Na prática clínica, sua confirmação é feita retrospectivamente depois de 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa que explique a ausência da menstruação.

Portanto, a menopausa faz parte do climatério.

Também é comum encontrar o termo perimenopausa, utilizado para descrever o período próximo à menopausa, quando as alterações hormonais e menstruais costumam se tornar mais evidentes.

Quais são os principais sintomas do climatério?

Os sintomas variam bastante. Algumas mulheres praticamente não percebem grandes alterações, enquanto outras apresentam manifestações intensas.

Entre as mais comuns estão:

Ondas de calor: também conhecidas como fogachos, caracterizam-se por uma sensação repentina de calor, principalmente na região do rosto, pescoço e tórax. Podem vir acompanhadas de suor, vermelhidão e palpitações.

Suor noturno: episódios de transpiração intensa durante a noite podem interromper o sono e contribuir para cansaço durante o dia.

Alterações menstruais: antes da menopausa, os ciclos podem se tornar irregulares, com mudanças no intervalo, duração e quantidade do sangramento.

Insônia e alterações do sono: algumas mulheres passam a ter dificuldade para adormecer, acordam várias vezes durante a noite ou despertam mais cedo do que o habitual.

Mudanças de humor: irritabilidade, maior sensibilidade emocional e oscilações de humor podem ocorrer durante a transição. Sintomas persistentes de ansiedade ou depressão, entretanto, merecem avaliação profissional.

Ressecamento vaginal: a redução do estrogênio pode tornar os tecidos vaginais mais finos, secos e sensíveis.

Dor ou desconforto durante a relação sexual: a diminuição da lubrificação e outras alterações geniturinárias podem provocar desconforto.

Alterações urinárias: algumas mulheres apresentam maior urgência para urinar, episódios recorrentes de infecção urinária ou outros sintomas geniturinários.

Mudanças na libido: o desejo sexual pode sofrer alterações, mas sexualidade é multifatorial e também pode ser influenciada pelo relacionamento, sono, saúde emocional, medicamentos e condições clínicas.

Dores articulares e musculares: desconfortos musculoesqueléticos também podem aparecer ou se intensificar nessa fase.

Dificuldade de concentração e memória: algumas mulheres descrevem sensação de “névoa mental”, esquecimentos e dificuldade para manter a concentração, especialmente durante a transição menopausal.

O climatério pode causar ganho de peso?

O ganho de peso não deve ser atribuído exclusivamente ao climatério.

O envelhecimento está associado a mudanças na composição corporal, redução da massa muscular e alterações no gasto energético. Ao mesmo tempo, mudanças hormonais relacionadas à menopausa podem favorecer uma redistribuição da gordura corporal, com maior concentração na região abdominal.

Sono inadequado, sedentarismo, alimentação, estresse e predisposição genética também desempenham papéis importantes.

Por isso, essa fase é uma excelente oportunidade para rever hábitos e realizar uma avaliação global da saúde.

Climatério e saúde dos ossos

O estrogênio participa da manutenção da saúde óssea. Com a queda de seus níveis após a menopausa, ocorre aceleração da perda de massa óssea em muitas mulheres.

Isso pode aumentar o risco de osteopenia e osteoporose ao longo dos anos.

A avaliação desse risco deve considerar fatores como idade, histórico familiar, peso corporal, tabagismo, consumo de álcool, uso de determinados medicamentos e ocorrência prévia de fraturas.

Em situações indicadas pelo profissional de saúde, pode ser solicitada a densitometria óssea, exame utilizado para avaliar a densidade mineral dos ossos.

Atividade física regular, especialmente exercícios resistidos e atividades com impacto apropriado às condições individuais, alimentação adequada e ingestão suficiente de cálcio e vitamina D fazem parte das estratégias de proteção da saúde óssea.

E a saúde cardiovascular?

A saúde cardiovascular merece atenção especial nessa etapa da vida.

Após a menopausa, mudanças hormonais e o próprio processo de envelhecimento podem estar associados a alterações no colesterol, pressão arterial, composição corporal e metabolismo da glicose.

Por isso, acompanhamento médico periódico pode incluir avaliação da pressão arterial, glicemia, colesterol e outros fatores de risco cardiovascular.

Não significa que a menopausa necessariamente causará uma doença cardíaca. O objetivo é reconhecer que essa fase representa um momento importante para prevenção e acompanhamento.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria das mulheres com idade compatível e sintomas típicos, a avaliação do climatério é principalmente clínica.

O profissional de saúde considera idade, padrão menstrual, sintomas, histórico pessoal e familiar, medicamentos utilizados e outras condições de saúde.

Exames hormonais nem sempre são necessários para identificar a transição menopausal. Entretanto, podem ser solicitados em situações específicas, principalmente quando os sintomas aparecem muito cedo, existem dúvidas diagnósticas ou é necessário investigar outras possíveis causas das alterações menstruais.

É importante evitar a interpretação isolada de exames hormonais sem avaliação médica, pois os níveis hormonais podem oscilar significativamente durante o climatério.

Existe tratamento para os sintomas?

Sim. O tratamento deve ser individualizado de acordo com os sintomas, sua intensidade, histórico clínico, idade, tempo desde a menopausa e preferências da paciente.

Existem abordagens hormonais e não hormonais.

A terapia hormonal da menopausa pode ser uma opção eficaz principalmente para sintomas como ondas de calor e suores noturnos e, em determinadas situações, para sintomas geniturinários.

Entretanto, ela não é indicada automaticamente para todas as mulheres.

Antes de iniciar qualquer tratamento hormonal, o médico deve avaliar cuidadosamente benefícios, riscos e possíveis contraindicações, considerando fatores como histórico de câncer hormônio-dependente, doenças cardiovasculares, trombose, sangramento vaginal sem diagnóstico e doenças hepáticas, entre outras condições relevantes.

Também existem tratamentos não hormonais que podem ser utilizados em determinadas situações.

Para sintomas vaginais e geniturinários, podem ser considerados hidratantes vaginais, lubrificantes e, quando indicado, tratamentos locais prescritos pelo médico.

Nunca utilize hormônios por conta própria.

Hábitos que podem ajudar durante o climatério

O estilo de vida exerce papel importante na saúde durante e depois da transição menopausal.

Algumas medidas podem contribuir para o bem-estar:

  • praticar atividade física regularmente;

  • realizar exercícios de força para preservar músculos e ossos;

  • manter alimentação equilibrada e rica em alimentos minimamente processados;

  • consumir proteínas em quantidade adequada;

  • manter ingestão adequada de cálcio e outros nutrientes;

  • evitar tabagismo;

  • moderar o consumo de bebidas alcoólicas;

  • estabelecer uma rotina regular de sono;

  • cuidar da saúde emocional;

  • acompanhar pressão arterial, colesterol e glicemia;

  • manter consultas e exames preventivos recomendados para a faixa etária.

Para mulheres que apresentam ondas de calor, identificar fatores que parecem desencadear os episódios também pode ajudar. Ambientes muito quentes, bebidas muito quentes, álcool e alguns alimentos podem piorar os sintomas em determinadas pessoas.

Saúde emocional também importa

O climatério não envolve somente alterações físicas.

Mudanças no sono, sintomas vasomotores, questões profissionais, relacionamento, sexualidade, envelhecimento e acontecimentos familiares podem influenciar o bem-estar emocional.

Por isso, sintomas psicológicos não devem ser simplesmente ignorados como “coisa da menopausa”.

Tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades habituais, ansiedade intensa, crises de pânico ou alterações emocionais que prejudiquem a rotina devem ser avaliadas por um profissional.

Psicoterapia e, quando necessário, acompanhamento médico podem fazer parte do cuidado integral.

É possível engravidar durante o climatério?

Sim.

Enquanto a menopausa ainda não estiver estabelecida, pode ocorrer ovulação, mesmo que os ciclos menstruais estejam irregulares.

Por esse motivo, mulheres que não desejam engravidar devem conversar com seu ginecologista sobre contracepção durante a transição menopausal.

A irregularidade menstrual não deve ser utilizada como método contraceptivo.

Quando procurar um médico?

O acompanhamento ginecológico é recomendado mesmo quando os sintomas são leves, especialmente para manter os cuidados preventivos adequados à idade.

Algumas situações merecem avaliação mais rápida, como:

  • sangramento vaginal muito intenso;

  • sangramento após a menopausa;

  • ciclos muito diferentes do padrão habitual;

  • dor pélvica persistente;

  • ondas de calor que comprometem significativamente a qualidade de vida;

  • insônia persistente;

  • dor durante as relações sexuais;

  • sintomas urinários recorrentes;

  • alterações emocionais importantes;

  • suspeita de menopausa precoce.

Um ponto merece destaque: sangramento vaginal depois que a menopausa já foi estabelecida deve ser avaliado por um médico. Embora existam causas benignas, é necessário investigar a origem do sangramento.

Climatério não é doença

O climatério é uma etapa natural do envelhecimento feminino, e não uma doença.

Isso não significa, porém, que a mulher tenha de suportar sintomas intensos sem procurar ajuda.

Hoje existem diferentes estratégias para controlar ondas de calor, alterações do sono, sintomas geniturinários e outros problemas associados à transição menopausal. Além disso, essa fase pode ser utilizada como um importante momento de prevenção.

Avaliar saúde cardiovascular, músculos, ossos, alimentação, sono, saúde mental e sexualidade ajuda a construir qualidade de vida para as próximas décadas.

O climatério representa uma importante transformação no organismo feminino. Alterações hormonais podem afetar menstruação, temperatura corporal, sono, sexualidade, composição corporal, ossos, metabolismo e bem-estar emocional.

Mas cada mulher vivencia essa transição de maneira diferente.

O tratamento, quando necessário, deve ser personalizado. Terapias hormonais podem ser excelentes opções para determinadas pacientes, enquanto outras se beneficiam de tratamentos não hormonais, mudanças no estilo de vida ou uma combinação de estratégias.

Mais do que simplesmente “passar pela menopausa”, cuidar da saúde durante o climatério significa preparar o organismo para uma nova etapa da vida.

Informação, prevenção e acompanhamento profissional permitem que essa transição seja enfrentada com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.

Aviso importante: este conteúdo possui caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento realizado por profissionais de saúde.

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